A Heartful of Love

A Heartful of Love (Kono mune ippai no ai wo) – 2005 –  conta a história de quatro passageiros que viajaram de volta à cidade de Moji em um mesmo voo e acabaram voltando ao ano de 1986 (20 anos antes). Hiroshi Suzutani (Hideaki Itô) é um empresário pacato e percebe que voltou no tempo quando se vê menino correndo na rua.

Não é uma história comum daqueles que voltam no tempo e tentando consertar suas vidas ou se prendem na maneira como poderão voltar ao presente. É um filme que acontece vagarosamente, de um jeito doce e suave, mostrando a tranquilidade com que o Hiroshi Suzutani – e mais três passageiros do voo 224 – se encontram no passado e não se irritam ou se aborrecem com isso. No fundo, eles já encaram como uma lição de vida e tentam reencontrar as coisas que outrora os fizeram felizes.

Todos os personagens têm uma relação com a cidade e seus habitantes e buscam retornar ao modo como viviam ou procurar algo que perderam ou deixaram de ver, como é o caso de uma velhinha cega (Tomoe Kakuta) que faz a viagem a essa cidade com o intuito de ver o túmulo de seu cão guia. Mas como se voltaram 20 anos, ela tem a possibilidade de rever seu cão ainda com vida, então, já sem arrependimentos ela desaparece no ar.

Hiroshi Suzutani vai morar em sua casa, com ele mesmo menino e seus parentes. Ele revê uma amiga de infância que morreu uma violinista, Kazumi Aoki (Mimura), que ele gostava muito e com quem aprendeu a tocar violino. Ela era uma ótima violinista até que de repente ela resolve não tocar mais, isso se deve ao fato de que está doente e sabe que vai morrer. Kazumi “descobre” que Hiroshi é o Hiro no futuro e compartilha com ele alguns momentos. Essa é uma parte muito bonita do filme. Hiroshi tem que aprender a lidar com a dor que ele mesmo sentiu ao saber que Kazumi estava morrendo.

Teruyoshi Nunokawa (Ryo Katsuji) é um dos passageiros, um cara bruto e violento, que volta ao tempo, mas tem uma história peculiar. Ele não tinha nem nascido ainda! Então ele resolve conhecer sua mãe Yasuyo Nunokawa e descobre que na verdade ele é resultado de um estupro e que sua mãe escolheu ter seu bebê contra a vontade da família.

Uma coisa interessante é que a presença desses passageiros no passado, não interfere na história de cada um deles (coisa que normalmente acontece com esse tema nos outros filmes). No começo achei não iria gostar de ver esse filme ou assisti-lo até o final, mas de fato me surpreendeu. É muito bonitinho a maneira com que os personagens tentam lidar com a própria vida vista sob outra perspectiva, eles são naturalmente mais humanizados, mais reais. É como aprender a conviver com a dor. A viver um arrependimento da melhor maneira possível, a não tornar os acontecimentos fatídicos mas compreendê-los na sua função de imutáveis.

“Ó e agora, Jessica Jung?”

Sobre migraziele

Tamires, ou migraziele, tem 22 anos e é estudante de arquitetura e urbanismo. Gosta da Coréia do Sul, dos coreanos, dos doramas e de cultura asiática em geral. Gosta de livros, café, fotografia, moda e de viajar como dois terços da internet.
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