Como foi que chegamos aqui

Eu gosto de ver k dramas. Não que isso seja novo para vocês. Mas é pelo mesmo motivo de ler incessantemente. Não é coisa à toa. As pessoas não se mantêm na superficialidade porque querem, mas porque é um mal necessário. E elas não costumam se afundar nas drogas por livre e espontânea vontade, sem a presença de terceiros. Do mesmo modo como enfrentamos as situações por aí, ou aquela qualquer coisa que chamamos de relacionamento, ou aquela – aquela – que tememos tanto, a tal da DR.

Um belo dia chamei meu amigo para ter uma DR, ele não voltou nunca mais. Nem por mim, muito menos pela DR. Então é absolutamente por isso que gosto de ver k-dramas. É por isso e sempre foi por isso que leio loucamente. Eu não tenho necessidade disso que vocês chamam de vida ou qualquer coisa parecida que envolva muitas pessoas, constrangimentos, inconveniências ou ignoradas. Ninguém precisa disso. É super fácil resolver as coisas frivolamente ou permanecer na superficialidade, não dói, não chateia, não magoa. Mas também não vive. É um medo insano de se relacionar e tentar colocar em prática o jogo de cintura, o engole sapos, a fada madrinha chamada paciência e o tiozão perdão para não perder a partida ou ver a qualquer instante a sua janela quebrada por dentro. E dói, como dói.

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Mas, somos todos trouxas. (Parafraseando Jane Austen) somos todos trouxas no amor. Não dá muito certo. A verdade é que você tentando ou não se relacionar, você acaba fudido – e é fudido mesmo, fudido e meio, porque fudido é mais embaixo – do mesmo jeito. Sempre dá uma merda, grande ou pequena, que não ajuda a solucionar a sua causa ou a contornar a sua dor.

É por uma questão muito maior que rebeldia pessoal. Não é nem por princípios ou qualquer coisa que o valha. Também não é por moral. É mais mesmo para se igualar a quem não lê. É para ser uma ausência completa de qualquer tipo de sensibilidade. É para não saber começar uma discussão quando necessário e muito menos para resolver qualquer coisa amigavelmente. É para destruir qualquer laço que existir quando esse ousar existir. É simplesmente para evitar a fadiga, o desgaste. É simplesmente por ter a completa certeza de que Diadorim era única, mas estava cega de vingança. Talvez o vazio completo também preencha alguma coisa, talvez esses espaços onde queremos pensar e resolver a nossa vida, talvez algo para tapar quando tentamos inevitavelmente resolver a merda/vida alheia. E ver que a força centrífuga está para o vazio.

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Não adianta você tentar que o mundo batman. Ou que a vida robin. Não é só nos relacionamentos que as coisas viram uma bola de neve. É em qualquer lugar e você se vê vítima dessa grande depressão. Então você baixa um kdrama ou pega um livro. Voluntariamente. É como dormir. É melhor que sonhar. Sim, vale. Vale muito. Porque ninguém aqui está preocupado com os danos, melhor mesmo são esses danos superficiais. Ou essas nossas habituais emoções falsas.

Melhor são as palavras reais caladas e as ilusórias contadas. Melhor os instantes em que analisamos os sentimentos fictícios do que aqueles horrendos que nos deparamos com os nossos. Melhor mesmo é negar que somos todos trouxas. Vai passar. Melhor mesmo é não resolver nada e carregar consigo bolhas e mais bolhas de pequenas dores de vários machucados. Nunca queira encontrar alguém que faça você se deparar com você mesmo e se autoquestionar, nunca queira encontrar alguém que faça você mudar ou pelo qual você queira mudar. Que você esteja livre disso para sempre e que muitos e muitos kdramas e livros estejam disponíveis para o ajudar nessa sua labuta de esquecer, de esquecer a vida. E não podemos esquecer da nossa máxima, que tudo, tudo asfixia.

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Sobre migraziele

Tamires, ou migraziele, tem 22 anos e é estudante de arquitetura e urbanismo. Gosta da Coréia do Sul, dos coreanos, dos doramas e de cultura asiática em geral. Gosta de livros, café, fotografia, moda e de viajar como dois terços da internet.
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14 respostas para Como foi que chegamos aqui

  1. Bem..devo dizer que a melhor parte para mim foi esta:
    “Melhor são as palavras reais caladas e as ilusórias contadas. Melhor os instantes em que analisamos os sentimentos fictícios do que aqueles horrendos que nos deparamos com os nossos.”

    Não sei se ja viu o filme.. o clube de leitura de Jane Austen..porque pode-se dizer que os k-dramas meio que funcionam como os livros de Jane (que intimidade kkkk) para as mulheres deste filme..

    Beijos

  2. Uau, poético!
    Eu nunca tive uma paixão real, acho que é por isso que gosto tanto de doramas e séries. Eu também nunca tive uma aventura. Nem mesmo tive um drama em minha vida. E eu posso ter tudo isso com apenas um dorama. É como você mesma disse, entretenimento saudável é ainda melhor do que sonhar. Eu não sei se é melhor que chocolate, mas misturando as duas coisas gera uma sensação incrivelmente real de bem-estar. A sensação é sempre uma cura, seja com os filmes, com as séries ou com os nossos tão amados doramas.

  3. Kim disse:

    Ual!!!! Nunca passei por uma paixão de drama… mas devo dizer que chegar tarde da facu cansada e estressada e assisti um ep. para esquecer dos problemas foi o que me salvou durante aquele período… com um coca gelada…rsrsrs..

  4. No seu site vi a dica do ‘Office Girls’, assisti e gostei demais

  5. Kim disse:

    Oii, Oii… Uma vez voc~e nos mandou mas não deu pra responder desculpa foi tempo… Mas
    nosso blog criou a nossa primeira Tag e como você sempre aparece por lá adoraríamos que você aceita-se e responde-se esse é o link: http://nomundodeliaekim.blogspot.com.br/2013/03/nossaaa-primeira-hahaha-tag.html

    Desde já agradeço… Bjusss

  6. Emanuelly disse:

    Estava procurando na net sobre Baby and Me do Jang Geun Seok e acabei caindo por aqui. Resolvi dar uma olhada e me identifiquei com esse post. Sempre me interessei mais pelo mundo fictício do que pelo real. Mas o que posso fazer? A visão humana é limitada, mas a imaginação é infinita.

    Parabéns pelo blog, gostei da forma espontânea que fala nos post. (Raxei de rir lendo a resenha de BBF).

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