Kdrama à luz da antropologia

Outro dia estava lendo Imagem-violência (etnografia de um cinema provocador) e de repente me ocorreu que é quase ou exatamente isso que fazemos. (rs) Tudo bem, ainda sim não é isso porque não temos as metodologias ou bases teóricas, mas discutir efetivamente sobre as técnicas e formas como vemos e sentimos os dramas coreanos é também uma forma de analisar antropologicamente. Nunca tinha me ocorrido que fosse gostar tanto assim de antropologia, de cinema, de imagens e análises.

Tenho pensado a respeito quando me deparei com a seguinte ideia: ver qualquer imagem fílmica de outro país faz com que aprendamos a cultura e o comportamento desse país e consequentemente analisemos segundo a nossa cultura e comparemos, além de observarmos como e com qual reação vemos aquilo que está sendo passado e como e com qual reação eles veem isso – que não é do mesmo modo -.

imagem-violencia

Também me peguei, mais precisamente, comparando os dramas coreanos com os taiwaneses. E, também, agora nesse último dia 06 estive vendo um filme da indonésia e tive impressões completamente diferentes das dos outros dois. Achei interessante e intrigador, me lembrou algo mais pesado e inquiridor, algo como quando falamos sobre questões sociais de modo denso.

Acho que nós, doramáticos kdramistas drameiros, somos capazes de avaliar – já, de certo modo – como se dá parte da filmologia desses países, conseguindo até vislumbrar conceitos psicológicos, cultura nacional e outras coisas mais. Bom, digo a vocês que já sei o que nós fazemos por aqui: análises fílmicas. E que, não somente por sabermos o nome bonitinho da coisa, mas já estamos apurados o bastante para sabermos coisas como tomadas de cenas, tratamento com relação aos familiares e conceito de família, personagens tipos, relações entre homem e mulher, com relação ao sentimento patriota, etc.

“Os filmes seriam documentos culturais que projetam imagens do comportamento humano social por serem ficcionais.”

Em um primeiro momento a autora diz que análises fílmicas tiveram início na 2° guerra mundial nos EUA a fim de conhecer o inimigo, visto o pouco contato com a cultura, costumes, interesses. Era necessário saber como se pensa, como se sente, como se enxerga o mundo. Conhecer o inimigo para combatê-lo.

Os taiwaneses são mais leves, com histórias românticas relacionadas à moral e ao destino, com menor produção se comparado aos cenários e produções coreanas, os coreanos apresentam um repertório maior com relação ao tema, mas raramente se colocam para discutir questões sociais de cunho “mais forte”, eu sempre acho que na Coréia tudo é flores. A grande produção coreana trata dos temas comuns amorosos, aos relacionados a desejo de vingança, ambição, os de ação e política (eles sempre correlacionam ação e política).

Deste modo, convido todos a darem uma olhada no livro imagem-violência (circula pela internet um pdf) e lançarmos mão da antropologia e fazermos o que gostamos: assistir e analisar dorama. Vamos.

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7 respostas para Kdrama à luz da antropologia

  1. tahysantis disse:

    Uau..post profundo rsrsrs
    gostei da ideia da leitura do livro e concordo sobre os doramaniacos..por termos esse contato com as questões culturais da ásia acabamos não apenas relacionando com a nossa, mas tb acabamos trazendo a cultura deles para a nossa, mesmo que não percebemos.. misturar culturas me parece ser algo natural do ser humano.. rsrsrs

  2. Pers disse:

    Eu seria incapaz de me tornar uma crítica de filmes por não conseguir diferenciar os aspectos técnicos do enredo, eu geralmente só olho o enredo, mas concordo plenamente com vc quando vc diz que os doramas e os filmes asiáticos nos fazem enxergar a cultura dos outros países de modo diferente. Aliás, fantástica resenha Migraziele!

    Bjs

  3. Mi, quero te dar um beijo neste momento!! SÉRIO!
    Vamos lá, como você sabe -ou não- faço ciências sociais e no curso temos uma base profunda de antropologia, que é uma área do conhecimento linda. Até agora não tive muito contato antropologia de imagem, ou com recursos/ de pesquisa imagético, vi muito de etnografia e etnologia e os dificuldades que enfrentamos para analisar o outro como o outro. deixa eu explicar, quando olhamos alguém diferente, em geral, buscamos as semelhanças e diferenças entre nós, e acabamos não “vendo” o outro e simplesmente traduzindo a realidade deles para a nossa. Agora indo mais fundo nas próprias histórias dos doramas. esse intercambio de cultura que acontece é real!! Conhecimento nunca é de mais não é mesmo, mas tenho que fazer uma ressalva, a observação é uma faca de dois gumes, nós interpretamos o que vemos, e quem está falando/atuando/escrevendo está passando uma interpretação dele mesmo sobre a realidade dele -confuso eu sei- portanto, nem sempre o que vemos pode ser visto com a realidade. Essa é a coisa mais legal e mais chata da antropologia, nunca temos certeza se estamos distorcendo a realidade! Por isso, antropologia é legal, por que é desafiador. ❤ semestre que vem, pretendo fazer um tópico de antropologia da imagem. Ai terei mais para falar.

    • migraziele disse:

      Ai, mto lindo. Adorei. Realmente é uma área muito foda que admiro mto. E realmente no livro a autora fala bastante de etnografia. E recomendo a você que veja esse livro, pois eu que não sou da área achei muito interessante!! Inclusive, em determinado momento a autora fala que podemos cometer essas falhas com relação à realidade. E ela aconselha a olharmos o filme como o mito, que equivale ao mesmo tipo de análise que os antropólogos aplicam à mitologia.Quero ver seu tópico hein, compartilhe comigo seus conhecimentos em antropologia!!!!

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