Balanço de fim de ano

Eu ia deixar um balanço desse ano de lado, afinal as partes negativas e desvantajosas se somaram vultosamente. Mas como boa brasileira eu não desisto nunca e meu balanço a seguir é em prol das – poucas – coisas boas ou para realmente perceber que elas nem existiram.

Acho que não contei aqui que entrei num curso de coreano, lá na liberdade, desde agosto. Estou já no Básico II, mas confesso que ainda sou relaxada e preguiçosa com os estudos e com tudo na vida.

Coisa importante também foi o show do Super Junior em abril (sobre coisas coreanas). Perdi uma viagem que faria para o Rio de Janeiro em março, por pura besteira e stress emocional.

Como vocês podem ver temos sempre pouco ou quase nada a acrescentar. Quase não fui a eventos descolados ou que me animassem o suficiente para serem lembrados agora. Fiz algumas compras excêntricas como meu tablet ngt 8000 da samsung e uma legging galáctica da marca Blackmilk Clothing que sempre piro loucamente quando entro no site deles.

Fiz um curso de ecommerce online e ainda estou com “uns projetos aí”, mas andou esse ano tudo muito mal parado. Não tive férias esse ano e tudo indica que o ano que vem também não terei. Não malhei, não me exercitei, não fiz dieta. Tampouco me droguei.

Falhei no TFG por questões próprias de incapacidade, mas em grande parte por filhadaputice alheia e sigo me execrando por não ser capaz de concluir uma faculdade de 5 anos em 5 anos. E a minha loucura chega ao extremo se eu disser que também não será em 6 anos. Às vezes eu penso que a transferência não foi uma boa ideia, em todas as outras eu prefiro assistir um kdrama.

Eu não li todos os livros que comprei e muito menos me senti animada com os poucos que li. Faz um tempo que não leio um livro que fosse significativo para mim.

Não me lembro de junho, não me lembro de julho, não me lembro de agosto. Ser assalariada me fez mais triste, solitária, mesquinha, cansada e pobre de espírito. Não morri na praia, morri no metrô, morri na rua.

Em fevereiro, maio, outubro e até agora tive uma desavença sem pé nem cabeça com alguém muito importante para mim.

Vi muitos doramas, curti a bad e escrevi quase nada. Foi um tempo de pensar demais para onde estou indo, por quê, como, com quem e até quando. Ainda não consegui a resposta. Não planejei o futuro, não corri atrás da dona felicidade. Surtei pelos cantos, tive tpm mensal. Fui má como nunca tinha imaginado que conseguiria ser na vida. Senti-me lesada, maltratada, magoada e ferida, e quando dói demais tudo se resume a uma frieza e dureza irredutíveis. Rebaixei-me como pessoa, não me abstive de descer até o chão.

Não sei o que me desculpa em tudo isso, o que redime ou ainda o que eu conseguiria perdoar. O problema de contar demais sobre nossas coisas, nossos erros e sentimentos para os outros é que eles acabam achando que sabem tudo, como você se sente, como o outro se sente e aconselham como você deve agir a partir de então. Eles não veem a grande parte dentro de você que você não conta e nem entendem o quanto as opiniões a respeito mais nos machucam do que nos ajudam.

Não adianta outra pessoa tentar abrir meu olho que está fechado. Sigo de olhos fechados. Não pratiquei esportes radicais nem me programei para aulas de dança. Estive completamente sem cor e sem assunto pelos cantos moída de uma dor que ninguém via. Tive crise no emprego, piripaque no trabalho com direito à saída de ambulância.

Tive remorso. Ninguém morreu, apesar da minha grande pré disposição em fazer que. E sei que em grande parte o quanto não fui normal. Esse ano não fiz toy art de papercraft. Fiz muitas contas de email. Entrei em redes sociais coreanas. Projetei um banco balanço. Curti demais fazer design de móveis.

Não sei ponderar prós e contras, mas vejo nitidamente que ano passado foi melhor. 2013 cagou na bosta. Eu também não fui uma pessoa que merecesse saudações ou elogios, não estou merecendo os presentes do papai noel. Eu agi por impulso, por raiva e estive completamente errada. Se me doía, também teria que doer nos outros. Mas seguir dizendo que não, uma coisa que era, é muito pior. Pior ainda, tentar resolver com terceiros. Mas, prossigamos.

Tenho saudade de alguém que não deixei de ver, talvez de alguém que nunca existiu. Fiz duas amizades que continuarão independente de condição. Conheci duas pessoas que eram amizades virtuais. Mudei de tim pra vivo e sigo morrendo. Tive uma maritaca por 3 dias em São Lourenço.

Vou tentar uma terapia ano que vem (achando muuuito necessário mesmo). Ainda estou com “uns projetos aí”. Pretendo tomar vergonha na cara, mas com relação à faculdade. Pretendo escrever mais sobre as coisas que gosto, ou talvez assim, pra desabafar mesmo. Estive errada, estou errada e não sei mudar. Aceito doações. De amor, de paz, de felicidade.

Só espero que meu intercâmbio dê certo. E que venha, Coréia do Sul.

Sobre migraziele

Tamires, ou migraziele, tem 22 anos e é estudante de arquitetura e urbanismo. Gosta da Coréia do Sul, dos coreanos, dos doramas e de cultura asiática em geral. Gosta de livros, café, fotografia, moda e de viajar como dois terços da internet.
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